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A prática como percurso:

Na minha trajetória com a dança contemporânea, sempre encontrei muita dificuldade em pertencer a um meio que, por gatilhos pessoais, me colocava num lugar extremamente sério e cruel comigo mesma.

Desisti.

 

Fui experimentar outras coisas, dei aulas, cantei, estudei antropologia... mas minha relação com o corpo e o movimento sempre foi muito forte, e por mais que tentasse fugir, eu sempre precisei voltar.

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RABA Power: 
o primeiro chamado para a pelve (2018-2020)

Em 2018, morando em Lisboa, senti a necessidade de fazer as pazes com a dança, mas para mim era importante trazer a dança de um lugar que fizesse sentido — e o que sempre fez sentido para mim era a possibilidade de brincar, de falhar, de inventar e de se divertir dançando.

E o lugar onde sentia que acessava tudo isso no meu corpo era na pelve.

Entendi que a pelve representava, para mim, esse lugar onde a alegria, a espontaneidade e a potência retornavam ao movimento, e ela se tornou minha porta de retorno à dança.​

Criei o RABA Power, minhas primeiras aulas dedicadas à pelve, trazendo um discurso político sobre autonomia e empoderamento, que contou também com a colaboração da Luiza Cason.

Foi transformador — mas também desafiador.

Mobilizar a pelve não era apenas encontrar potência. Para muitas pessoas, revelava dor, tristeza, vergonha, histórias profundas. Eu entendi ali que trabalhar com essa região exigia responsabilidade, escuta e ferramentas de acolhimento.Com a pandemia, a maternidade e a mudança do ritmo urbano para o campo, mergulhei mais fundo. Comecei a investigar nossas estruturas de suporte — físicas, emocionais e relacionais — e a pergunta-guia da minha pesquisa mudou:

O que é que te apoia?

Esse processo deu origem, em 2020, à minha prática ANCORAR.

ANCORAR:
A fase das raízes (2020–25)

Durante alguns anos, ANCORAR foi a metáfora perfeita para o meu trabalho.

Brinquei com imagens de navegação — a âncora que encontra o chão, a bússola-pelve que orienta o corpo no espaço, e o movimento como um mar a ser navegado.

 

Em 2022, com a gestação do meu segundo filho, abri um novo ramo da pesquisa voltado à maternidade, usando os mesmos princípios, agora aplicados à gestação.

Mais uma camada de aprofundamento que me levou a entender que, quando as estruturas de suporte estavam bem organizadas, o movimento emergia sozinho. O trabalho de parto foi um catalisador desse conhecimento encarnado: quando o corpo encontrava suporte, a pelve mexia, o bebê encontrava espaço, a expansão acontecia sem esforço.

 

Comecei a focar profundamente no estudo das estruturas de suporte do corpo, e a pelve deixou de ser o centro, tornando-se uma passagem — um catalisador.

Meu foco passou a ser construir apoios — físicos, somáticos e emocionais — que permitissem às pessoas se expressar com autenticidade e segurança.

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Transformação (2023–2024)

Em 2023, meu corpo pediu pausa. Um burnout após anos de pandemia, dois puerpérios seguidos e isolamento no campo sem rede de apoio.

Em 2024, mudamos para Budapeste, onde voltei a respirar: rede, cidade, colegas, aulas presenciais e tempo para trabalhar quando meu filho mais novo entrou na creche.

 

Aqui, me comunicar em inglês se tornou mais frequente — e, de repente, o nome ANCORAR já não cabia mais.

A prática estava maior do que o símbolo.

Eu também.

 

Olhando para minha trajetória, percebi que a única constante de todo esse percurso era eu.

RABA Power e ANCORAR são fases vivas de uma pesquisa em movimento — mas agora era hora de afirmar o trabalho a partir do meu nome:

Flora Mariah.

A prática atual (2025 →)

Nesta nova fase, depois de tantos anos imersa nas profundezas de tudo aquilo que me apoia, chego à superfície e ganho ar para recuperar uma parte muito importante do trabalho que vinha adormecida: a brincadeira.

Depois de firmar minhas bases sólidas, ganho superfície e a possibilidade de transitar entre aquilo que apoia e aquilo que move e expande.

Atualmente, esse é o principal pilar do meu trabalho: o estudo da relação entre movimento e suporte, onde exploramos:

1. A pelve como portal de potência, alegria e brincadeira

o lugar onde podemos acessar nossa vitalidade em movimento para brincar, rir de nós mesmas, errar, improvisar, arriscar e expressar — sem pedir permissão.

2. O chão como lugar de amparo e coragem

Para habitar essa alegria, precisamos de suporte.

O chão físico, emocional e relacional sustenta a autenticidade e o gesto espontâneo.

 

Hoje, vejo minha prática como uma ecologia — um organismo vivo em diálogo constante com o corpo, a terra, a gravidade, a memória e a imaginação.

Através de escuta profunda e do resgate dos apoios, encontramos coragem para experimentar a brincadeira como força política e criativa.

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Testemunhos

"Sinto que o teu acompanhamento desbloqueou tanta energia em mim e me beneficiou tanto. Trouxe tanta mobilidade, tanta reconexão com a pelve, tanta libertação. Conto os minutos para cada aula. São todas únicas, especiais e lindas. Saio sempre delas toda uau e muito mais eu."

Liliana Sofia

“Muito obrigada por nos guiar neste processo vulnerável e poderoso. Tem sido super empoderador e libertador para mim. Eu realmente aprecio o trabalho que você faz e o espaço seguro que você criou para nós.”

E.B.

“Sempre tive dores durante a menstruação e, depois de fazer suas aulas, pela primeira vez não senti mais.”

Veronika

"Dançando com o que há... ah, e agora quando danço assim em modo social, sinto muitas vezes que é a minha pelve que me dança a mim. Isso se deve ao Ancorar sem dúvida, muito potentes essas práticas."

Sara Machado Morais

"Estou tocada e intrigada pela forma como você é capaz de comunicar seu profundo conhecimento sobre nossos corpos e mediar essa experiência para os outros. Esse é seu lindo presente."

Nikola

"Seu trabalho é lindo e abre um portal de percepções internas que reverbera em muitos aspectos da nossa vida. Me sinto hoje muito mais consciente do meu lugar, do meu espaço, do meu movimento.

Eu desejo que esse trabalho cresça e prospere.

Que chegue a mais mulheres pois realmente é muito potente."

Patricia Rozinholli

“Pratiquei hoje e consegui sentir uma sensação de calor, vivacidade e abertura nos quadris, nos ísquios e nos tecidos circundantes.”

Niko

“Tenho feito várias coisas para dar suporte ao meu útero, mas estou bem convencida de que o trabalho com você é uma grande parte de mover a energia estagnada ao redor do meu útero e deixar minha pélvis mais alinhada.
Tão maravilhoso, obrigada.”

Marysia P.

“Depois que comecei a fazer suas aulas, sinto uma relação melhor com meus apoios, até ando com mais confiança”

Livia

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